Projeto de Oficina-Criatório

O formato oficina literária, tal como praticado de

maneira avulsa no Brasil, parece já estar em processo

de esgotamento. Na verdade, fazer oficinas esparsas

não permite nem uma continuidade do treinamento

literário, nem, menos ainda, o amadurecimento para

desenvolver uma obra. Com isso, corre-se o risco de

se ter uma prática amadorística que não deságua num

objetivo concreto, que é a produção literária.

Diante de tal situação, o presente projeto pretende

inovar o formato: une a prática de oficina, que cumpre

a função de treinar, mas ao mesmo tempo carreia o

treinamento para a produção definitiva de obras – o

que se está chamando de Criatório de Textos. As duas

vertentes não são obrigatórias. Alguns participantes

poderão preferir apenas fazer a oficina prática, por

considerarem prioritária ao seu estágio literário.

Outros/as, ao contrário, estarão mais preocupados em

escrever e discutir seus textos produzidos a partir do

projeto de uma obra (romance, conto ou poesia)

considerando-se maduros para tal.

A oficina-criatório alternará a discussão de

exercícios com a análise coletiva dos textos

produzidos para obras em andamento.

(As atividades ocorrerão sob a coordenação do escritor João Silvério

Trevisan, com prática de mais de 23 anos de oficinas literárias e

criatórios de texto).

Os encontros ocorrerão semanalmente, às segundas-feiras,

das 19:30 às 22:30 hs.

(As matrículas estarão abertas até o limite de 16 participantes).

Local: Rua Bahia, 1282 – Higienópolis

Preço: R$ 300 (por mês)

Para maiores informações :

prologo@prologoseloeditorial.com.br

Tel. 11 3666‐6055

twitter: @seloprologo


RESUMO BIOGRÁFICO DE JOÃO SILVÉRIO TREVISAN

João Silvério Trevisan exerce atividades profissionais nas mais

diferentes áreas artísticas e culturais. Escritor de literatura

ficcional, ensaística e infanto-juvenil, tem 12 livros publicados,

entre ensaios, romances e contos. Realizou inúmeros

trabalhos como roteirista e diretor de cinema, dramaturgo e

jornalista. É autor do longa metragem cult ORGIA OU O

HOMEM QUE DEU CRIA (1971), que ficou retido durante mais

de 10 anos pela ditadura. Já escreveu nos mais importantes

jornais e revistas brasileiros, além de vários órgãos

internacionais. É tradutor do espanhol e inglês, tendo vertido

para o português obras de Jorge Luis Borges, Guillermo

Cabrera Infante e Melanie Klein, entre outros. Nos últimos

vinte anos, tem se distinguido como coordenador de

concorridas oficinas de criação literária, realizadas em

diferentes instituições no Brasil e na internet, pelas quais já

passaram mais de uma geração de novos escritores. Também

tem realizado oficinas de roteiro cinematográfico. Foi

contemplado com alguns dos principais prêmios artísticos

brasileiros, tendo recebido 3 vezes o Prêmio Jabuti, um dos

mais reputados prêmios literários do Brasil, assim como

3 vezes o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes

(APCA), o último deles com seu mais recente romance: REI DO

CHEIRO (Ed. Record, 2009). Várias de suas peças teatrais foram

encenadas em diferentes cidades brasileiras, como São Paulo,

Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre, tendo

recebido prêmios nos Festivais de Teatro de João Pessoa e

Campina Grande. Foi contemplado com bolsas da FUNARTE

(Fundação Nacional de Arte), Fundação Vitae (São Paulo) e

Prefeitura da Cidade de Munique (Alemanha). Recebeu mais de

uma vez o Prêmio Estímulo, em São Paulo, para

desenvolvimento de roteiros cinematográficos. Em 2001, foi

escritor-residente na Universidade do Texas, em Austin. Seu

conto “Dois corpos que caem” compõe a antologia “Cem

Melhores Contos Brasileiros do Século 20″. Sua obra já foi

traduzida para o inglês, alemão, espanhol, italiano e polonês.

Viveu em San Francisco (USA), Cidade do México e Munique (Alemanha). Atualmente reside na cidade de São Paulo.

Leia mais no site da Livraria Cultura: http://www.culturanews.com.br/noticiadetalhe.aspx?noticiaid=1126

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postado por: Tui Lee

Painel interativo, tema: seja autor.

Além de expor livros, montamos um painel interativo, para que o público fosse o autor.

por Fernanda Carvalho


Local 1: Mostra Amarello II, dia 1/12, na Líbero, Badaró, 336.

Veja “Resultados” (imagens): facebook

Veja “Resultados” (vídeo-vinheta): youtube

Relato:

Logo na entrada, embaixo do painel com os dizeres “Seja autor – seu começo, seu fim”, montamos, em branco, outro painel.

Vi alguns tipos de reação: uns passavam reto como se nada estivesse ali. Outros olhavam, mas resolviam não mexer. Alguns me perguntavam se podiam desenhar, escrever, se o painel  em branco era para eles.

Nesse acontecimento, não houve muitos participantes, porém os que participaram se envolveram: desenharam personagens, quase uma historinha…, desenharam-me também e questionaram alguns valores. O papo deles comigo, que estava lá registrando, foi longe. Acho que, por algum momento, sentimos alguma intimidade. Talvez acreditássemos em coisas parecidas – objetivos se cruzam…

Ali, naquele momento, a interação ao vivo nos fez bem. Depois de propor questões sobre o tempo de agora, sobre quem é o autor, e propor ainda uma interação real, o resultado do que aconteceu, mesmo com o fato de alguns terem ignorado a proposta – propositadamente, ou não –, foi algum contato real. Alguma qualidade em tudo aquilo nos deixou satisfeitos. Talvez nada mais que experiências reais…

Local 2: Estúdio Luzia – festa de 1 ano, dia 10/12, na rua Tito, 79, Lapa.

Veja o album: facebook

Relato:

Desta vez, quase não apareci. Não precisei explicar e nem afirmar “sim, este painel é para você”.  Lá, no Estúdio Luzia, parecia não haver autor com obra assinada: todos eram autores. Muita interação, vontade. O fazer e o apresentar ao público já estavam implícitos e explícitos. Vimos bandas, fotos, projeções, livros; passarinhos (de origami) voavam no salão… As crianças dançavam.

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postado por: Tui Lee

Por sorte, distraídos

# 1

Roberta chega correndo no aeroporto JF Kennedy em NY. Ela tenta tirar suas três malas de dentro do táxi. O motorista, um Sr haitiano mais velho, é quem faz o trabalho. Ela pega o carrinho com as duas malas grandes e carrega a menor. Dentro do aeroporto ela fica um tempo na fila do check in até entender que está na fila errada.

Fernando entra no saguão com o seu sobretudo preto e carrega apenas uma mala pequena muito parecida com a da de Roberta. Ele para atrás dela. Eles não se conhecem. Fernando não desgruda do telefone, do outro lado da linha o seu chefe quer informações que tomam toda a sua capacidade de pensar. Ao pesar as malas, Roberta é informada que precisa eliminar alguns kilos de uma das três. Tira a nécessaire de dentro de uma e sem querer passa para a mala de Fernando o peso que estava sobrando na outra. Distraídos não percebem e embarcam as suas malas trocadas.

O avião balança um pouco e Fernando fica com um certo medo. Ele pensa na sua vida amorosa, em seus projetos de filmes e toma um remedinho. Capota em cinco minutos. Algumas fileiras ao lado Roberta toma um vinho tinto e janta. Não gosta de comer muito a noite mas não resiste. Está ansiosa. Pensa em como seria se voltasse a viver no Brasil. Adora NY e sua vida independente mas por outro lado sente falta da família e do conforto de casa.

Fernando olha pela janela e avista “Gotan City”. Está de manhã e São Paulo continua feia. Roberta fecha a janela, a claridade a incomoda. Ambos saem do avião. Na esteira das malas Fernando pega a mala da Roberta e Roberta a mala de Fernando.

Voltar de viagem e tomar café da manhã na casa da mãe é um dos prazeres de voltar de viagem. As empregadas fazem festa pois não encontram com a Roberta há meses. Tem suco natural, iogurte, granola, chá, tudo o que ela gosta. Depois do das risadas ela abre a mala, pega a sua nécessaire, escova os dentes e cai na cama.

Fernando engole um pão de queijo saindo do aeroporto. Pega um táxi e voa para a casa. Está com a cabeça a mil. Tem uma reunião importante naquele mesmo dia.  Chega em casa e abre a sua mala. Desacredita ao encontrar com cremes e remédios que não eram dele.

# 2

No dia seguinte, com todo o desentendido formulado em suas cabeças, Fernando e Roberta combinam de se encontrarem no apartamento dela para destrocarem as malas. Ainda bem que existe etiqueta de identificação mas pena não fazer uso delas. Por agora aprenderam a lição.  Ao menos a pessoa atendeu, morava relativamente perto e não parecia um psicopata.

Na hora do almoço o táxi deixa Fernando e a mala na frente do prédio de Roberta. Ele telefona para o número da etiqueta mas é o número residencial e ninguém atende. Espera uns vinte minutos até que ela liga para ele.

-       E aí, cadê você?

-       Cadê você eu quem diga, estou esperando a meia hora na porta do seu prédio.

-       Ah tá já estou indo. Te vi.

Fernando não entende nada, fica meio confuso procurando a pessoa que ficou com a sua mala.

Do outro lado da rua, Roberta carrega compras do supermercado.

-       Oi, me ajuda aqui. Vamos subir.

O elevador sobe até o décimo primeiro andar. O silêncio predomina. Ela mede ele dos pés a cabeça. Ele pergunta:

-       O que foi?

Ela acha ele engraçado.

Ele pede licença ao entrar no apartamento daquela garota aparentemente maluca que acabou de conhecer. Dá de cara com o poster da Bjork. Depois passa os olhos rapidamente pelos livros de arte da sala dela. Roberta lhe oferece um chá. Ele diz que está com pressa mais aceita. Conversam um pouco sobre a confusão e tentam reconstruir a cena de como a nécessaire foi parar na mala dele. Desencanam de entender. Nesta altura Fernando já havia passeado pelo o rosto de Roberta e encontrado três atrizes, assistido dois filmes e escutado quatro músicas. Ela diz que tem aula de pilates e eles se despedem com dois beijos. Ele fica sozinho no corredor, pensando, pensando… Será que não chamaria essa garota para sair? A porta do elevador se abre e ele até arrisca voltar mas desiste. Ao sair do prédio o celular de Fernando toca: é Roberta, ele fica feliz.

-       Ei, volta aqui… Você esqueceu a mala.

http://sentimentodemundo.blogspot.com/

editora Projetos Prólogo

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postado por: selo prologo